quinta-feira, 16 de janeiro de 2014
os amores e os dias: noivados desfeitos
sexta-feira, 23 de março de 2012
Aprendendo a amar, segdo Nietzsche
Não sucede assim só com a música: foi da mesma maneira que aprendemos a amar tudo o que amamos. A nossa boa vontade, a nossa paciência, a nossa equanimidade, a nossa suavidade com as coisas que nos são novas acabam sempre por ser pagas, porque as coisas, pouco a pouco, se despojam para nós do seu véu e apresentam-se a nossos olhos como indizíveis belezas: é o agradecimento da nossa hospitalidade. Quem se ama a si próprio aprende a fazê-lo seguindo um caminho idêntico: existe apenas esse. O amor também deve ser aprendido.
Friedrich Nietzsche, in "A Gaia Ciência"
Aprendendo a amar, segdo Nietzsche
Não sucede assim só com a música: foi da mesma maneira que aprendemos a amar tudo o que amamos. A nossa boa vontade, a nossa paciência, a nossa equanimidade, a nossa suavidade com as coisas que nos são novas acabam sempre por ser pagas, porque as coisas, pouco a pouco, se despojam para nós do seu véu e apresentam-se a nossos olhos como indizíveis belezas: é o agradecimento da nossa hospitalidade. Quem se ama a si próprio aprende a fazê-lo seguindo um caminho idêntico: existe apenas esse. O amor também deve ser aprendido.
Friedrich Nietzsche, in "A Gaia Ciência"
sábado, 9 de janeiro de 2010
noivados desfeitos
Conheci duas jovens mulheres em situações bem diferentes e na mesma semana: uma era aprendiz do meu velho e bom dermatologista, médica, jovem. Viu minha entrevista no bahia revista e me perguntou: por que eu estou separada há tantos anos do meu noivo e continuo a sonhar c ele?
a outra jovem me entrevistava e perguntou a mesma coisa.
Ambas jovens bonitas bem sucedidas. Noivados longos, primeiro homem sexual. Eu pensava nos anos 50.
Eram adequados -os respectivos fiancés - aos desígnios das famílias.
Mas eram chatos, elas morreriam de tédio se casassem.
Estão solteiras e sonham com o tédio, cansadas de sobressaltos.
diga-me a verdade!
As verdades mudam na mesma medida das circunstâncias. São jogos de verdade. Quando falo em jogo, lembro-me sempre da criança séria de Anaximandro de Mileto jogando com o tempo.
Lembro-me tbem do brincar da criança de Winnicott: séria.
Quando se tenta resumir uma relação apenas aos seus aspectos homem/mulher, mulher/mulher, homem/ homem esquecemos a sua invenção e nos fixamos nas nominações q dão sentido e ato, ao macropoder que os agencia.
O poder é microfísico, já nos avisava o velho Foucault. O desejo se cria, a sua proveniência é vária, entontece.
vendo formas nas nuvens
Aquele olhar eu conhecia, eu conhecia muito bem! Eu o senti tantas vezes e em todas elas, me alegrei. Quem era? Onde foi, em q momento? Como de repente algo tão próximo se tornou estranho, confuso, a memória borrada. Mas era assim, eu tenho certeza! Tinha traços de índio, modos civilizados, estudou na europa.Eu o conheci há muito e muito tempo, e não sei quem é. Tão atrás q poderia ser o menino q me amava aos 7 anos de idade numa escola pública? não... hj é venal e rico, com uma consciência muito oportunista disso.Essa expressão q eu me recordo é muito inocente, e sensual ao mesmo tempo.Meus deus quem é, quem foi? O jovem judeu que foi p israel servir na guerra? eu tinha 17 anos e o esperei por um bom tempo. O vi de novo,já velho, comum, econômico até o mau gosto.Não não era ele... quem era? estou inventando... eu acho q era marlon brando...nunca existiu de verdade.
Os amores na tela fizeram o jeito de amar da nossa geração.
Lembrei-me! não, não era índio, a pele era muito branca, ah! mas os olhos eram rasgadinhos, cobertos por oculos de fundo de garrafa, pequeno, baixinho, foi professor na universidade desde quando eu tbem era, aos 23 anos.Tímido, um nerd. Currículo infinito, precisaria ser carregado num carrinho de mão, numa dessas bancas universitárias. Sempre amável, sempre disponível. Casou-se com uma aluna muito mais jovem, agora, depois de velho, fiquei feliz, ficou esperto, normal.Dou-me conta q olhar dele me ama, nos encontros bissextos, onde dizemos bobagens, brincadeiras sem sentido, aqui ali, no banco, na padaria.Não importa o q se diz, a fala é desengonçada, e os gestos tbem. Se tentássemos nos beijar, nos daríamos coronhadas com nossas cabeças.
Tem vários olhares de índio como esses, em minha vida. Tem o do ex-aluno, cujas palavras tornam a vida a mais delicada literatura. Dou-me conta q êles me amam, sempre me amaram e me acompanham;e eu recebo essa carícia, refeita pelo tempo. Uma espécie de amor nos tempos do cólera, sem final, sem heroísmo, sem obstinação, sem corpo. Inefáveis amores,q só agora, no olhar de um ator, eu vi. O menino de Heráclito brinca com o tempo e com o amor,e é sério, quando os inventa.
lamento nietzscheano
Não ha fraqueza demais nisso? Isso não nos traz um odor nauseabundo de velas baratas recém apagadas num entêrro?